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domingo, 23 de maio de 2010

"O Carteiro de Pablo Neruda" - Obra revisitada por Anabela Guimarães



Por gentileza do Jornal "Renascimento" (edição de 15.04.2010) divulgamos aqui o texto intitulado "O carteiro de Pablo Neruda, ou as metáforas da paixão", redigido pela Drª Anabela Guimarães, Licenciada em Estudos Artísticos e Culturais.
Trata-se de uma intensa revisitação à sublimidade da Poesia, imortalizada não só pela  Literatura como pelo Cinema.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Como me encontrei com Sebastião Alba - por Conceição Oliveira

Não anotei o nome na minha agenda, não seria necessário. O nome do poeta-pensador “Sebastião Alba”, gravou-o na minha memória aquele jovem cuja idade se aproxima da idade do meu filho mais novo, e que frequenta o mesmo curso que eu. Vejo-o ali, na minha frente, partilhando comigo a emoção que sentia ao recordar o homem com quem se cruzara e do qual guardava a imagem, as ideias, as frases, os poemas, que o marcaram.
Dizia-me, então, o meu amigo: "Eu gostava muito de escutar o Sebastião Alba, ele encantava-me com as suas palavras. Um homem muito culto, como poucos. Um grande poeta e pensador. Expressava o seu pensamento sabiamente acerca dos grandes filósofos, escritores, da vida...". Continuando a relatar-me com entusiasmo e emoção o modo como o viu, sentiu e escutou... a vida difícil, a morte trágica.
Confesso que desconhecia o autor, a sua vida e obra. Sugeriu-me, o meu amigo, que eu fizesse um trabalho acerca do poeta Sebastião Alba, para publicação no Jornal “Diário do Minho” – decorria, então, o meu primeiro estágio no âmbito do curso EAC. O poeta, segundo ele, não poderia cair no esquecimento. Deveria, mesmo, ser erguido e colocado em lugar cimeiro, por direito e justiça. Prometi-lhe que iria pesquisar, porque escrever sobre um autor e a sua obra requeria a busca de informação e o estudo da obra. O que implicava tempo, trabalho, reflexão. Mas, à partida, já carregava na minha bagagem a melhor das ferramentas: a certeza de estar perante a memória de um poeta-pensador que tocara com as suas palavras o coração de um jovem; cuja recordação o emocionava ao ponto de sentir a necessidade de exigir vê-lo no lugar que a vida lhe havia negado.
Decidi que apresentaria a proposta do trabalho, incluindo-o no Estágio II, a realizar no segundo semestre.
Contudo, o orientador do Estágio já tinha outros planos: todos os trabalhos a realizar, no segundo semestre (Estágio II), tratariam um tema comum, a música. Assim, não cheguei a apresentar a minha proposta sobre o “Sebastião Alba”.
Mas, a semente estava lançada e germinava na minha mente. Sempre que me deslocava a uma livraria para comprar algum livro, ou simplesmente sondando as novidades, passei a procurar a obra de Sebastião Alba. Nada, não consegui encontrar um livro do autor. Como o tempo era escasso para cumprir com as exigências do curso, da vida profissional e familiar, não me preocupei em tomar a iniciativa de tentar encomendar os livros às editoras (seguindo as referências que entretanto recolhi na internet), deixando ao tempo a missão de me dar espaço para realizar esta minha vontade.
O tempo passou e na minha visita à feira do livro, em Braga, fui novamente “desperta” para a necessidade de prosseguir com a busca da obra de Sebastião Alba. Indaguei junto de alguns stands... nada! Enfim, tratava-se de uma espécie de namoro platónico que se entregava nos braços do tempo, sem grandes sobressaltos, seguro de que o dia da realização chegaria, inelutavelmente.
Por esses dias, um meu sobrinho que cresceu em Braga, e com o qual eu não me encontrava há algum tempo, telefonou-me. Combinamos que ele viria passar uns tempos a minha casa, para repousar. Assim foi, recebi-o neste lugar privilegiado entre a montanha e o mar. Na sua bagagem não faltavam os livros, seus companheiros – partilhamos o gosto pela leitura. Uma noite, durante uma das nossas conversas acerca de livros, autores, ideias, ocorreu-me falar-lhe acerca do Sebastião Alba. “Conheces a obra?”. Sim, conhecia a obra e conhecera o autor... Como acontecera com o meu jovem amigo e colega de curso, também o meu sobrinho partilhava a mesma emoção, entusiasmo e certezas acerca das qualidades do autor. Falei-lhe da minha busca... sorriu.
Mais tarde, já no meu quarto, bateram à porta. “Tia, posso entrar?” - Respondi afirmativamente. A porta abriu-se e o meu sobrinho entrou trazendo um livro na mão direita. Sorria feliz, esticando o braço na minha direcção, disse, “Este livro é para a tia, ofereço-lho”. Olhei o livro, incrédula: ali estava! Escrito em alvas letras “SEBASTIÃOALBA – Albas”, em baixo, um rosto de homem, com barba, olhos cerrados ao peso de pensar o mundo e de carregar a vida. O meu sobrinho explicou-me que comprara o livro na feira do livro em Braga, num “standezinho” que por lá havia. Agradeci e disse-lhe que lho devolveria após o ler - recusou. Agradeci.
As coincidências acontecem. O destino... não posso afirmar que existe, mas acontece... As primeiras palavras que escutei acerca de Sebastião Alba chegaram-me através de um jovem a quem ele tocou o coração e a alma; as primeiras palavras do autor – registadas na sua obra – vieram ao meu encontro, no meu quarto... pela mão de outro jovem, igualmente tocado por esse ser humano que já partiu. É deste sal que se tempera a beleza do “ser humano”.
Agora sinto a gratificação de conhecer “um pouco” da sua obra e do seu pensamento, e compreendo perfeitamente a sedução que exerceu em quem com ele se cruzou em vida. Era um ser “livre” que não sabia ser de outro modo. Pode ser gerador de controvérsias, e daí?
No próximo dia 14 de Outubro ocorre o 9º aniversário da sua morte. Seria uma boa ocasião para as Instituições educativas de Braga marcarem o início de um interesse genuíno pela obra e pelo autor. Oxalá isso aconteça mesmo.
Conceição Oliveira, aluna de Estudos Artísticos e Culturais
DE SEBASTIÃO ALBA:
  • De Pessoa, há uma fotografia, do ano da sua morte, que me vem perseguindo. Matar-se já não é um gesto irrepetível, individual (dirigido contra si próprio). O suicídio começa a ser colectivo, nosso contemporâneo.
  • Os pobre-diabos deste mundo (e os donos deles sentam-se ao lado uns dos outros, à nossa vista) só têm uma solução: organizar-se inteligentemente. Ou morrem. Agradeço ao escritor norte-americano Jack London (aventureiro e suicida) o cão de trenó que me deu. É infalível. Quando há uma fenda (neste mundo gelado) estaca, eu aproximo-me dele para ver o que há, e ficamos os dois ali a pensar na rota e na puta da vida. A vida está com os cornos desembolados; enquanto grandes toureiros a enfrentam, na arena, eu, na fasquia, observo como ela marra. Quero aprender, com eles, a voltear bem a capa, ou a colhida é certa.
(Da obra: Alba, Sebastião. Albas, Biblioteca “Primeiras Pessoas”, vol. 2. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2003, p. 36)

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quinta-feira, 23 de julho de 2009

"O Livro da Criança" prefaciado pela Antiga Aluna, Mª Amélia Fernandes

Tivemos conhecimento do convite que foi dirigido à Drª Maria Amélia Fonseca Fernandes - "A Poetisa de Arosa" e Antiga Aluna do Curso de EACs - para redigir o Prefácio da obra poética O Livro da Criança, do autor João Carlos Veloso Gonçalves "Quelhas". Um breve extracto desse exórdio: «Escrever não é fácil, escrever para crianças torna-se ainda mais exigente. (...) Penso ser de elevada importância deixar que as crianças façam a sua própria leitura. (...)» Mais informação sobre a obra

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terça-feira, 28 de abril de 2009

Filomena Fonseca, aluna de EAC, na Feira do Livro de Braga

A convite da Editora Atelier - Produção Editorial, a aluna de Estudos Artísticos e Culturais, Filomena Fonseca, estará presente no próximo dia 02 de Maio, pelas 16 horas, na Feira do Livro de Braga, para autografar o seu livro de poesia Os Degraus da Casa, cuja publicação já foi comentada neste blog. Os nossos parabéns!

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sábado, 25 de abril de 2009

"RENASCER EM ABRIL"

Amanhã abrirei as janelas do meu quarto Será de manhãzinha, quando o sol poisar sobre o meu telhado Deixarei a brisa da manhã entrar Fresca, renovada Abrirei os braços para a receber Os meus lábios tocar-lhe-ão Nas pálpebras fechadas sentirei o calor da luz No peito o sentimento de liberdade Liberdade de ser em cada dia Liberdade de pensar e de querer Que me importará o ter O poder ou não fazer A liberdade virá ao meu encontro E correrá a galope em mim Possuir-me-á Exigirá a minha entrega incondicional E, em cada ínfimo pedaço de mim Despertará cálidas lembranças De uma outra manhã de Abril Em que eu, então jovem Abri janelas de esperanças Sonhei um mundo novo De liberdade para o povo Onde igualdade e fraternidade Galopavam rumo ao futuro E tudo era certo, seguro Tudo belo, tudo justo Não mais fome, não mais guerra, não mais acorrentados Todos unidos Liberdade, igualdade, fraternidade Finalmente a Fénix chegara anunciando um mundo novo O renovado reino contado pelo português a Thomas More Iria realizar-se na pátria Lusitana E daqui, pelos Lusos, povo escolhido Partiria a mensagem Que por todo o mundo se espalharia Liberdade, igualdade, fraternidade, Amor, paz O reino do Espírito Santo, Do Menino Imperador Do Agostinho da Silva e do Vieira Amanhã quando eu abrir as janelas do meu quarto As lembranças daquele Abril ido, voltarão As sementes da liberdade serão flor Eu dissolver-me-ei na fragrância desse perfume de liberdade Então, voltarei a renascer.
Poema de Conceição Oliveira

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Filomena Fonseca Oliveira (EACs) publica "Os Degraus da Casa"

A noite brilhou de intensidade na “estreia” do Livro “Os Degraus da Casa” da poetisa e pintora famalicense, Filomena Fonseca» - escreve Conceição Oliveira, a propósito da sessão de apresentação do primeiro livro de poemas daquela aluna do Curso de EACs, num texto publicado no Jornal Diário do Minho, e que aqui reproduzimos:
«Na passada sexta-feira, 24 de Outubro, o Auditório da Fundação Cupertino de Miranda foi pequeno para albergar o grande número de pessoas que aí se apresentaram para assistir ao lançamento do primeiro livro de poemas da artista famalicense Filomena Fonseca.Entre os presentes, além da Mesa composta pela autora, pelo Dr. Vasco Moreira e pela Sra. Dª Fátima Almeida, esta última em representação da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, encontravam-se diversas figuras ligadas à cultura, poetas, músicos, escritores, pintores. Dando, deste modo, testemunho do grande apreço e carinho que a autora goza entre os seus amigos: artistas e anónimos. Foi ao som da música clássica, interpretada pelas meninas Cristina Veloso e Filipa Costa, que se deu início à sessão. De seguida, o Dr. Vasco Moreira iniciou a apresentação do livro “ Os Degraus da Casa” citando Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa: “…que há poetas que são artistas e que fazem os seus versos” e acrescentado “estamos aqui hoje com a poetisa, que é artista, e que faz os seus versos”. Elogiando a arte poética de Filomena, cuja capacidade é de “em poucas palavras, concentrar muito do que é a vida”, o apresentador ilustrou o sentido das suas considerações através da leitura do poema “Agasalho” (pag. 12 do livro): O sol desceu devagarinho
e ajudou a fazer o ninho
na nossa casa e nunca mais
te caíram os olhos
nem se fecharam os braços O segundo grande momento da noite aconteceu quando o Grupo de Teatro “Andaime”, da Escola Camilo Castelo Branco, sob direcção do professor Silvestre, subiu ao palco para apresentar, através de uma sequência de vários quadros, a leitura encenada de alguns dos poemas que integram o livro “Os Degraus da Casa”. O acompanhamento musical, a cargo do talentoso e jovem pianista André Silvestre, acrescentou magia ao excelente momento em que as artes da poesia, representação e música se uniram, extasiando todos os presentes. Já no final da sessão, alguns poetas do Porto e Vila do Conde, surpreenderam a artista, subindo ao palco para declamar alguns dos seus poemas, ainda não lidos. O público presente não arredou pé até final da sessão, deixando transparecer, nos seus rostos o encantamento de uma noite perfeita. Os livros esgotaram, superando as expectativas da artista, e a sessão de autógrafos prolongou-se pela noite dentro, com abraços e elogios à mistura. Foi, de facto, uma grande noite em que a poesia saiu dignificada.»
Conceição Oliveira
Curso de Estudos Artísticos e Culturais
Faculdade de Filosofia / UCP / Braga (Fonte: Diário do Minho – Suplemento Cultura, 05 de Novembro de 2008, p. VII)

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