No âmbito do Estágio II de EACs que está a decorrer na Junta de Freguesia de São Victor / Braga, a aluna finalista Filomena Oliveira elaborou um trabalho escrito no qual comenta a exposição de fotografia intitulada "Semana Santa em Braga... um certo olhar", do artista bracarense Carlos Ribeiro.
O texto foi publicado pelo Jornal "Diário do Minho" na sua edição de 28.04.2010 no Suplemento "Cultura".
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terça-feira, 11 de maio de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
"CHAGA DO LADO" pelo Professor Luís da Silva Pereira*
Sempre nos pareceu estranho que os artistas que representaram Cristo crucificado lhe tenham colocado, quase sem excepção, a chaga no lado direito do peito. Deviam supor, logicamente, que o soldado romano que trespassou Cristo, querendo certificar-se de que estava morto, não tivesse escolhido o lado direito para lhe dar o golpe fatal, mas o esquerdo. É aí, com efeito, que sentimos palpitar o coração, é aí que sempre o imaginamos. Os artistas seriam, pois, levados a pensar que o centurião, por mais desatento ou ignorante que fosse da anatomia humana, deveria ter trespassado Cristo pelo lado esquerdo, se lhe queria atingir o coração.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
"A Igreja precisa da arte e da beleza"(*) por José Tolentino Mendonça
Se o Mistério de Deus se soletra pela tríade Verdade, Bem e Beleza, quer dizer que esta última integra o património íntimo que dá substância à própria Fé.
Na linha dos seus predecessores, o Papa Bento XVI tem declarado que a Igreja precisa de celebrar um novo pacto criativo com o mundo das Artes. São palavras para tomar a sério e traduzir em cada realidade nacional. Não há razões para a Igreja realizar a sua missão (que tão intimamente se liga não só à Verdade e ao Bem, mas também à Beleza) de costas voltadas para os grandes criadores do seu tempo. Um catolicismo que descure a expressão da Beleza é seguramente um catolicismo diminuído.
A Beleza para a Igreja não é um ornamento. Se o Mistério de Deus se soletra pela tríade Verdade, Bem e Beleza, quer dizer que esta última integra o património íntimo que dá substância à própria Fé. Sem a Beleza a experiência cristã permanece incompleta, por que Deus é Beleza, esplendor, glória. Nós sabemos bem os riscos de um cristianismo puramente histórico, articulado simplesmente entre convicções e práticas. O cristianismo é também um sobressalto de infinito, paixão pelo absoluto, uma epifania que nos transcende, uma inexplicável emoção que nos derruba nos caminhos de Damasco que são os de todas as vidas. Dizia o Papa Paulo VI aos Artistas, num discurso que Bento XVI tem citado: "Nós temos necessidade de vós. O nosso ministério precisa da vossa colaboração. Porque, como sabeis, o Nosso ministério é pregar e tornar acessível e compreensível, aliás comovedor, o mundo do espírito, do invisível, do inefável, de Deus. E nesta operação... vós sois mestres. É a vossa profissão, a vossa missão; e a vossa arte é extrair do céu do espírito os seus tesouros e revesti-los de palavra, de cores, de formas de acessibilidade… E se a Nós viesse a faltar o vosso auxílio, o ministério tornar-se-ia balbuciante e incerto".
A Igreja em Portugal precisa de um virar de página nesta matéria. Há ainda demasiados subprodutos que circulam, numa espécie de contrafacção estética e de ruído. Urge uma estação de exigência e o celebrar de um compromisso capaz de dar à nossa Evangelização uma estética consistente, coerente e contemporânea.
Na linha dos seus predecessores, o Papa Bento XVI tem declarado que a Igreja precisa de celebrar um novo pacto criativo com o mundo das Artes. São palavras para tomar a sério e traduzir em cada realidade nacional. Não há razões para a Igreja realizar a sua missão (que tão intimamente se liga não só à Verdade e ao Bem, mas também à Beleza) de costas voltadas para os grandes criadores do seu tempo. Um catolicismo que descure a expressão da Beleza é seguramente um catolicismo diminuído.
A Beleza para a Igreja não é um ornamento. Se o Mistério de Deus se soletra pela tríade Verdade, Bem e Beleza, quer dizer que esta última integra o património íntimo que dá substância à própria Fé. Sem a Beleza a experiência cristã permanece incompleta, por que Deus é Beleza, esplendor, glória. Nós sabemos bem os riscos de um cristianismo puramente histórico, articulado simplesmente entre convicções e práticas. O cristianismo é também um sobressalto de infinito, paixão pelo absoluto, uma epifania que nos transcende, uma inexplicável emoção que nos derruba nos caminhos de Damasco que são os de todas as vidas. Dizia o Papa Paulo VI aos Artistas, num discurso que Bento XVI tem citado: "Nós temos necessidade de vós. O nosso ministério precisa da vossa colaboração. Porque, como sabeis, o Nosso ministério é pregar e tornar acessível e compreensível, aliás comovedor, o mundo do espírito, do invisível, do inefável, de Deus. E nesta operação... vós sois mestres. É a vossa profissão, a vossa missão; e a vossa arte é extrair do céu do espírito os seus tesouros e revesti-los de palavra, de cores, de formas de acessibilidade… E se a Nós viesse a faltar o vosso auxílio, o ministério tornar-se-ia balbuciante e incerto".
A Igreja em Portugal precisa de um virar de página nesta matéria. Há ainda demasiados subprodutos que circulam, numa espécie de contrafacção estética e de ruído. Urge uma estação de exigência e o celebrar de um compromisso capaz de dar à nossa Evangelização uma estética consistente, coerente e contemporânea.
José Tolentino Mendonça
* Fonte: Agência Ecclesia / (título da nossa responsabilidade)
Etiquetas:
Arte e Espiritualidade,
Arte Sacra,
Beleza
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Cristo e a samaritana num painel da igreja de S. Paulo (Braga). Apontamento iconográfico, por Luís da Silva Pereira*
Centremos, primeiro, a nossa atenção nos seres humanos. A samaritana é uma jovem que vem à fonte, bonita, elegantemente vestida. Repare-se no pormenor da cintura subida. Mulher sedutora, já tivera cinco maridos, e o que tinha então não era dela.
De acordo com o evangelho, Cristo está sentado, descansando, mas aqui veste à maneira de peregrino: chapéu na cabeça, bordão na mão direita, calçado leve e alforge a tiracolo. Está de passagem. Caminha, evangelizando.
O cão, também repousando, do lado de Cristo, não será apenas um pormenor decorativo. Simboliza a virtude da fidelidade, precisamente o que Jesus, conhecedor da psicologia feminina, promete à Samaritana: um amor eterno, uma fidelidade perfeita.
A paisagem em que se desenrolou a cena evangélica não deveria ser tão verdejante. Aqui se revela, porém, outra originalidade da pintura. Vemos árvores frondosas, arbustos, verdura pelo chão, aves voando, um palácio, representando a cidade. Vemos, não um poço, mas um fontanário barroco com golfinhos na base e ostentando, no alto, um pequeno Cupido. À maneira arcádica, combinando tradição greco-romana com a mensagem cristã, o artista situou o episódio num ambiente iconograficamente próximo das representações do Jardim do Amor.
Ao fazê-lo, captou o essencial da cena. O episódio da samaritana é, precisamente, a promessa de uma água que mata para sempre a nossa sede de amor, de um amor absolutamente perfeito, por isso mesmo imortal. É a promessa do regresso ao Jardim do Éden.
O Prof. Luís da Silva Pereira lecciona Iconografia no Curso de Estudos Artísticos e Culturais
da FacFil / UCP-Centro Regional de Braga
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Pablo Lima, aluno de EAC, publica monografia
O aluno do Curso de EAC Pablo Lima realizou uma monografia na área da Arte Sacra acerca do Santuário de Nossa Senhora da Boa Morte, orientado pelo Professor Luís da Silva Pereira. Este trabalho foi posteriormente publicado pela Escola Superior de Teologia e Ciências Humanas de Viana do Castelo.quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Orar, fotografar e partilhar!
Desde os tempos imemoriais a arte, a criação artística são uma mediação fundamental na relação do homem com o transcendente, nomeado de muitos modos e representado de muitas formas. O enigma e o mistério da vida, do mundo, da história, são transfigurados pela inspiração estética na potência do Invisível que nos fala, nos atrai, nos faz descentrar de nós para nos concentrar no Absoluto. João Paulo II, na célebre Carta aos artistas identificou a centelha divina que habita na criação artística: «Toda a autêntica inspiração encerra em si algum frémito daquele “sopro” com que o Espírito Criador permeava, já desde o início, a obra da criação». Poderíamos acrescentar: toda a autêntica experiência estética participa também daquele “sopro”.
Façamos nós também a experiência artístico-espiritual. Uma proposta de oração, com a fotografia, partindo do silêncio, da meditação e da contemplação.
Antes da máquina, o olhar, a abertura interior ao mundo que me rodeia. De seguida, o registo fotográfico e a partilha.Entre o olhar e o fotografar há muitas similitudes. Quem não experimentou já olhar como quem fotografa? Mas agora, trata-se de fotografar não só a partir do olhar mas também a partir de uma atenta escuta interior.
Esta actividade será orientada pelo Fernando Ribeiro (1º Ciclo/3º ano de Filosofia), um entusiasta da arte, sobretudo das possibilidades da fotografia, frequentador das iniciativas do curso de EACs.
Decorrerá no fim-de-semana de 18 a 20 de Outubro, na Casa da Torre, em Soutelo-Braga.Para mais informações, contactar: 253310400 - e-mail: casadatorre@jesuitas.pt
Nota: é necessário trazer máquina fotográfica digital e os respectivos cabos de ligação ao computador. Será útil para a partilha.
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