domingo, 31 de maio de 2009
A cultura da solidariedade num testemunho genuíno
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Professor de EACs anima “Noites de insónia”
Cândido Martins é o dinamizador de uma Comunidade de Leitores, que se reúne mensalmente na Casa-Museu de Camilo, em S. Miguel de Seide, para melhor conhecer e fruir a obra de Camilo.
A iniciativa partiu do Centro de Estudos Camilianos, com o patrocínio da Câmara Municipal de Famalicão e realizar-se á ao longo de 2009.
Este docente da Universidade Católica garante que o imaginário camiliano desencadeia este efeito: “ninguém prega olho”.
Apesar de congregar já um número variado de pessoas, aquela comunidade está aberta a novas inscrições. Fica o convite especialmente dirigido aos estudantes (antigos e actuais) de EACs.
Toda a grande arte nos diz respeito.
B. Brecht em destaque nos "Festivais Gil Vicente" - Uma reflexão
Numa temporada fértil de produção teatral brechtiana, que se repercutiu na programação teatral do Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) através da apresentação de "A Mãe", da apresentação de "Tambores na Noite" e que se vai repercutir na apresentação de "A Resistível Ascensão de Arturo Ui" no âmbito dos Festivais Gil Vicente, a estética de Brecht surge como mote para uma reflexão que a programação dos Festivais Gil Vicente proocurará suscitar junto dos espectadores.
A teorização estético-teatral de Brecht obriga a uma reflexão sobre a sua eventual actualidade, sobre a sua aplicabilidade nos tempos modernos e sobre a sua adequação, tendo em vista as alterações na percepção e na sensibilidade do indivíduo contemporâneo, fruto das modificações no âmbito do horizonte de expectativas dos espectadores e na sua relação com a espectacularidade.
Hoje, o contexto histórico-social, histórico-político e mesmo histórico-económico apresenta divergências marcantes em relação ao período Brechtiano.
No entanto, a teoria deste encenador alemão é incontornável, salvaguardando as diferenças resultantes das novas realidades sectoriais e resultantes da evolução da estética teatral.
Torna-se difícil pensar num teatro contemporâneo sem pensar na inquietude que o mesmo deve provocar, sem pensar no teatro como forma e como espaço de reflexão sobre as questões mais diversas. Hoje não se falará de teatro sem que nesse teatro o espectador tenha um papel preponderante de relacionamento com a cena teatral.
Neste teatro, não há uma preponderância do espectador ou da cena teatral, estes completam-se, confrontam-se, dialogam e unificam-se. Cada um dá aquilo que possui, disponibiliza as suas características intrínsecas, expõe-se à vivência e entrega-se à percepção ou permite-se ser percepcionado.
Em Brecht, como hoje, a arte teatral não é compreendida apenas como a diversidade dos princípios e técnicas característicos de uma arte, mas tem responsabilidades pedagógicas, tem responsabilidades que ultrapassam o entretenimento, abrindo o espectador para a reflexão sobre o mundo em que vive e, consequentemente, para o seu desenvolvimento enquanto elemento participante na cidadania. Por outro lado o espectador tem, também, responsabilidades, tem responsabilidades na descodificação da mensagem imanente da obra, tem responsabilidades de permissão para que a obra se manifeste, ganhando uma dimensão que por si só não possui, precisando do espectador para ser, para se transformar, para se revelar, para se dar em plenitude.
À semelhança da máxima de Brecht - “Estranhar o que é comum, e achar normal o que é estranho” - a obra cénica a ser encenada e o segmento social a ser escolhido, actuando sobre a contemporaneidade, devem considerar a sociedade e a sua crescente mediatização; devem considerar a cada vez maior perda de padrões educativos e éticos que são, cada vez mais, substituídos por padrões de entretenimento e de estimulação sensorial pura. A cultura de massas, o consumo global, a Internet e a multiplicidade de redes sociais e de sociabilização são factores que devem ser considerados na abordagem estética teatral, de forma a despertar consciências e de forma a contrariar a massificação do gosto acrítico e superficial daquilo que é dado de forma imediatista aos sentidos, sem que o processo de experiência estética aconteça; sem que o espectador o seja de facto; sem que a cena teatral não ultrapasse essa singela qualidade.
O Teatro deve comprometer e comprometer-se.
Mikel Dufrenne dizia: “O objecto estético só me pertence verdadeiramente se eu lhe pertencer”.
Texto elaborado por José Bastos, aluno do Curso de Estudos Artísticos e Culturais / Director Artístico do Centro Cultural Vila Flor (Guimarães)
José Bastos (EACs) e Francisca Araújo (Vereadora da cultura da CM Guimarães na apresentação dos Festivais Gil Vicente 2009 /Foto: Jornal Diário do Minho, 23 de Maio de 2009
Programação dos Festivais Gil Vicente: clicar aqui
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Workshop "Percepção, leitura e análise de imagens" na FacFil
terça-feira, 26 de maio de 2009
Viajar com… Tomaz de Figueiredo: um clássico da literatura portuguesa, por Cândido Martins
Texto da apresentação da obra Viajar com Tomaz de Figueiredo (Porto, Caixotim / Ministério da Cultura, 2008), na Casa de Casares, Arcos de Valdevez.
1. Apresentação inicial
Mandam as elementares regras de cortesia saudar os anfitriões desta casa (Srª D. Maria Antónia de Figueiredo e Sr. Dr. Santos Loureiro), bem como os demais convidados deste evento. De entre os presentes, permitam-me destacar três figuras institucionalmente envolvidas neste louvável projecto editorial: a Srª Drª Helena Gil, Directora do Ministério da Cultura para a região Norte; e o Sr. Paulo Samuel, editor da Caixotim, co-editores da obra; bem como o Sr. Presidente da Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez, Dr. Francisco Rodrigues Araújo, entidade apoiante da edição.
Um bonito livro como este dispensa qualquer apresentação, pois fala por si mesmo, através da palavra eloquente de vários autores e da impressiva fotografia de António Pinto. A fazer-se algum tipo de intervenção no seu lançamento, deveria ela ser confiada a um especialista na obra de Tomaz de Figueiredo, que obviamente não sou; ou ainda a descendentes directos, pela riqueza da memória e dos testemunhos vivos que nos podem partilhar.
Apesar desta ressalva, cumprindo a função de que, por simpatia, me incumbiram; e tentando fazê-lo do modo mais competente, creio que o momento é adequado para três considerações rápidas, a pretexto desta obra e do escritor que aqui nos convoca: primeiro, sublinhar a pertinência do conceito que está por detrás deste projecto editorial; segundo, salientar as mais notórias qualidades desta obra que acaba de ser publicada; e terceiro, reiterar a singularidade do autor que a todos nos congrega neste agradável momento de convívio; e ainda para concluir a valência deste tipo de roteiro do ponto de vista literário e educacional, mas também turístico e cultural.
2. Conceito: “Viajar com… os caminhos da literatura”
Esta obra insere-se num projecto da responsabilidade da Direcção Regional da Cultura do Norte (DRCN) do Ministério da Cultura, presidida pela Srª Drª Helena Gil, assessorada pelo Dr. João Luís Sequeira Rodrigues. E surge na sequência de sedutoras experiências, que muitos de nós já experimentámos algum dia – viajar fisicamente pelos espaços habitados ou descritos na obra de um escritor, em passeios e itinerários, de natureza cultural, memorialística e sentimental.
Como bem explicitado no conceito que lhes está subjacente, nestes roteiros literários e culturais, pretende-se viajar com e pelos caminhos da literatura. Viajar pelo património paisagístico, histórico, imaterial que nos rodeia, através do olhar privilegiado dos escritores que aí viveram, escreveram, amaram e morreram.
Viajar com os escritores é um modo de vivificarmos as nossas raízes históricas, culturais, literárias e linguísticas. Viajar com a literatura é, assim, uma forma ímpar de conhecimento e de fruição; um modo de enriquecer o nosso imaginário colectivo e de solidificar o sentimento identitário enquanto povo (1).
Esta ideia feliz da DRCN – de nos propor viagens pela mão experimentada e luminosa dos escritores como Tomaz de Figueiredo – materializou-se numa metodologia eficaz que preside à estrutura de cada um destes atraentes roteiros – introdutoriamente, uma sintética apresentação do homem e do escritor, em rápidas considerações contextuais e cronológicas. Logo de seguida, destacam-se três secções intimamente articuladas: i) a valorização dos espaços de inspiração em que cada autor nasceu, viveu e morreu, isto é, os espaços que naturalmente moldaram a germinação da sua obra, desde o local de nascimento aos lugares de convívio e de trabalho; ii) os espaços que se projectam directamente na topografia literária de cada escritor, através de descrições ou impressões que nos permitem uma sedutora viagem; iii) nas entrelinhas da vida e da escrita de cada escritor, é possível destacar uma ou mais facetas marcantes da sua criação.
Deste modo, procura-se associar, de forma dinâmica e incentivadora, a literatura de vários escritores ao conhecimento e à valorização do património da região nortenha, seja ele histórico, paisagístico, imaterial, gastronómico, etc.. Isso mesmo acontece com a obra extensa do autor do romance A Toca do Lobo.
O Alto-Minho é o chão do escritor hoje evocado. Por conseguinte, o pensamento que está subjacente a este conceito e projecto é o da relação umbilical do homem com a terra – no caso presente, Arcos de Valdevez, “terra do [seu] coração”, como lhe chamou Tomaz de Figueiredo. Por isso, nos decassílabos brancos e heróicos de Viagens no Meu Reino (1968) – longo poema narrativo dedicado ao fraterno amigo e poeta Fausto José – Tomaz de Figueiredo evoca sentidamente um longo itinerário, entre um turbilhão de memórias, de ambientes, de cenários e de personagens:
terça-feira, 19 de maio de 2009
Regeneração urbana de liderança cultural
segunda-feira, 18 de maio de 2009
A arte, a crise e a oportunidade*
Afinal, não é só nos mercados financeiros e nos sectores da banca, do imobiliário e afins que a ausência de uma legítima instância de regulação proporcionou livre curso à "invenção" de produtos tóxicos, envenenando a economia mundial e gerando a tremenda crise que hoje assola o planeta. Também no respeitável mundo da arte (!), exactamente nos mercados da arte algo de similar se passa/ou.
Da França, com a sua sismográfica sensibilidade aos abalos culturais, vem a precisa denúncia e constatação de que «sem nenhum controle, nem do poder político, nem dos artistas, o aparelho de Estado para a arte contemporânea fica totalmente entregue a si mesmo e às injunções do grande mercado especulativo». Quem o afirma é Pierre Souchaud, no editorial do nº 46 (Mars-Avril, 2009) da revista Artension.
Este lutador infatigável pela “reinscrição da arte no horizonte do humano” olha para a crise sistémica em que estamos mergulhados, perscrutando nela não apenas a oportunidade de o “sistema da arte” se limpar dos “modernos janíçaros” da arte contemporânea (que o poder político alimentou descaradamente), mas também como a oportunidade de se proceder às «mudanças estruturais para reintroduzir no dispositivo das instâncias de controlo, regulação e avaliação». Souchaud vê já alguns sinais «de uma tomada de consciência política» capaz de encetar essas reformas. Não é, portanto, um olhar pessimista nem céptico.
Se este tema lhe interessa, caro/a leitor/a, então não perca de vista o dossier que enriquece aquele mesmo fascículo. Nele, a socióloga da arte Nathalie Heinich e Claude Mollard avançam com proposições que abrem pistas para a implementação das necessárias transformações. Por sua vez, Aude de Kerros traça um conspecto histórico daquele aparelho de Estado, bem como da sua ligação ao rótulo “arte contemporânea”, permitindo localizar com mais especificidade as peças a substituir, os vírus a combater.
Os textos deste dossier poderão ser lidos no endereço http://www.artension.fr/
* Recordo-me de, numa das “ligações” com que mapeava as suas crónicas da contemporaneidade, Eduardo Prado Coelho se ter referido à perspectiva de J. Derrida, segundo a qual “onde existe um perigo existe também uma oportunidade”. Por analogia, o perigo é a crise, e a depuração do sistema da arte a sua oportunidade.
domingo, 17 de maio de 2009
Antiga aluna de EAC's proferiu Conferências em Ourense (Galiza)
sábado, 16 de maio de 2009
Cidade e Cultura
A Cidade é hoje um incontornável tema de reflexão e um lugar primordial para a intervenção artística e cultural. A cultura urbana, a arquitectura, o urbanismo, a estruturação do espaço, os processos de culturalização e de estetização, com as suas vastas implicações constituem um material teórico-prático de grande significado para os Estudos Artísticos e Culturais. Com a divulgação do texto que se segue – publicado no Jornal Diário do Minho, em 02 de Maio de 2009 – pretendemos fornecer um estímulo em ordem ao aprofundamento daquelas temáticas. Está, pois, aberto o diálogo.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Antiga aluna de EACs integra projecto "Rede +"
sábado, 2 de maio de 2009
Sara Pinheiro (aluna de Eacs) escreve sobre o Programa Cultura 2007-2013
(Clique na imagem para ampliar)




